A saída de Ratinho Júnior da corrida presidencial reorganizou o tabuleiro interno do PSD e abriu espaço para uma consolidação que, nos bastidores, já vinha sendo desenhada: o fortalecimento do nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como principal aposta da sigla para a disputa ao Planalto.
A decisão do governador do Paraná de permanecer no cargo até o fim do mandato foi comunicada nesta segunda-feira (23) e, embora embalada por uma justificativa pessoal, é interpretada, dentro do partido, como reflexo de um cenário político mais desafiador em seu estado. A movimentação acabou reduzindo o número de pré-candidatos e acelerando o processo de definição da legenda.
Com isso, Caiado passa a ocupar o centro da estratégia nacional do PSD. Internamente, a leitura é de que o governador goiano reúne, hoje, as condições mais consistentes para sustentar uma candidatura competitiva, tanto pelo ambiente político mais estável em Goiás quanto pela trajetória consolidada em áreas consideradas sensíveis para o eleitorado, como segurança pública e gestão fiscal.
A avaliação entre aliados do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, é de que o cenário favorável no estado de origem pesa diretamente nessa equação. Enquanto Caiado mantém uma base política sólida e indicadores positivos de gestão, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também na disputa interna, enfrenta um contexto mais turbulento, especialmente na articulação da própria sucessão.
No Sul, o redesenho das alianças impôs obstáculos adicionais. O apoio do PP à pré-candidatura do deputado Zucco (PL), somado à possibilidade de o PT caminhar com Juliana Brizola (PDT), fragmenta o campo político e pressiona o grupo de Leite. Há, inclusive, a avaliação de que o governador gaúcho pode ser levado a permanecer no cargo para tentar fortalecer o nome de seu vice, Gabriel Souza (MDB).
Levantamento recente do instituto Real Time Big Data reforça esse ambiente mais competitivo no Rio Grande do Sul. Na pesquisa, Zucco aparece na liderança, com 31% das intenções de voto, seguido por Juliana Brizola, com 24%, e Edegar Pretto, com 19%. Gabriel Souza surge com 13%, evidenciando o desafio de consolidação do grupo governista.
No PSD, esse contraste entre os cenários estaduais tem sido determinante. A leitura predominante é de que Caiado chega à disputa interna com uma vantagem estratégica: além de estabilidade política, carrega um perfil considerado mais assertivo e com maior capacidade de dialogar com setores produtivos e lideranças nacionais.
Outro fator que pesa a favor do governador de Goiás é o momento de sua trajetória política. Por estar em fase final de carreira eleitoral, sua eventual candidatura é vista como um movimento que não compromete os planos futuros do partido, garantindo ao PSD margem de manobra para articulações após o pleito, independentemente do resultado.
Nos bastidores, a construção de consenso em torno de Caiado já é tratada como um caminho natural dentro da legenda, embora a decisão oficial ainda dependa de uma rodada final de conversas conduzida por Kassab. A expectativa é de que o martelo seja batido até o fim de março.
Ao comentar o novo cenário, Kassab reforçou que o partido não abre mão de apresentar uma candidatura própria à Presidência. Em nova manifestação, o dirigente destacou que a legenda pretende oferecer ao eleitorado uma alternativa fora dos extremos.
Segundo ele, o PSD trabalha para colocar de pé um projeto equilibrado, capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade. Kassab também ressaltou que tanto Caiado quanto Eduardo Leite apresentam credenciais relevantes, mas indicou que a escolha levará em conta o conjunto de viabilidade política e eleitoral.
A tendência, no entanto, é que o avanço de Caiado dentro do partido se consolide nos próximos dias, transformando o governador goiano no principal nome do PSD na corrida presidencial e reposicionando a legenda no cenário nacional com um candidato que, na avaliação interna, combina experiência, firmeza e capacidade de articulação.
