Queimar lixo, restos de poda, vegetação ou utilizar fogo para limpar terrenos não é apenas uma prática perigosa. A conduta pode configurar crime ambiental e provocar incêndios de grandes proporções, ameaçando áreas verdes, animais silvestres, propriedades e a saúde da população.
Durante o período de seca, o risco se torna ainda maior. A baixa umidade do ar, as altas temperaturas e a vegetação ressecada criam condições para que uma pequena chama se transforme rapidamente em um incêndio de difícil controle.
Além da destruição das matas, a fumaça prejudica a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares. O fogo também compromete nascentes, empobrece o solo e destrói habitats fundamentais para a sobrevivência da fauna do Cerrado.
O cenário exige atenção redobrada nos próximos meses. Levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da agência norte-americana Noaa apontam evolução das condições para a formação do fenômeno El Niño no ciclo 2026/2027.
Embora ainda não seja possível confirmar a intensidade do fenômeno, existe a possibilidade de prolongamento da estiagem e aumento das temperaturas no Brasil Central. Essas condições podem ampliar o risco de incêndios florestais, especialmente em áreas degradadas e próximas às regiões urbanas.
Práticas comuns que podem provocar grandes incêndios
A queima de lixo doméstico, mesmo dentro de quintais ou propriedades particulares, pode causar poluição e espalhar o fogo para terrenos vizinhos.
Restos de poda, folhas, galhos e entulho vegetal também não devem ser queimados. Durante a seca, esses materiais ficam altamente inflamáveis e podem alimentar incêndios por várias horas.
O uso do fogo para limpar lotes, chácaras e propriedades rurais também representa grave ameaça ambiental. Uma rajada de vento pode espalhar as chamas rapidamente, colocando famílias, animais, residências e áreas de preservação em perigo.
A orientação é clara: nenhum terreno particular está isolado dos impactos provocados pelo fogo. Quando um incêndio começa, as consequências podem atingir toda a comunidade.
Queimada pode resultar em prisão e multa
A prática pode ser enquadrada na Lei de Crimes Ambientais, a Lei nº 9.605/1998. O artigo 41 estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa, para quem provocar incêndio em mata, floresta ou qualquer forma de vegetação.
O artigo 54 também prevê punição para situações de poluição que possam causar danos à saúde humana ou ao meio ambiente, com pena de reclusão de um a quatro anos e aplicação de multa.
Mais do que evitar punições, a prevenção deve ser entendida como um compromisso coletivo com a vida, com a saúde pública e com a preservação do Cerrado.
Os restos de poda e o entulho vegetal devem ser encaminhados aos pontos de coleta autorizados. A recomendação é nunca utilizar fogo como forma de descarte ou limpeza, mesmo em terrenos particulares.
Serviço
Em caso de foco de incêndio, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Denúncias e solicitações também podem ser feitas pelos seguintes canais:
Polícia Militar: 190
Participa DF: 162
