A senadora Leila Barros definiu seu caminho político para as eleições de 2026 no Distrito Federal. Depois de semanas de negociações, reuniões reservadas e tentativas de construção de uma candidatura única no campo progressista, a parlamentar decidiu levar o PDT para a aliança liderada por Leandro Grass, candidato do PT ao Governo do Distrito Federal.
A decisão altera o equilíbrio da oposição e deixa Ricardo Cappelli, do PSB, em uma posição mais delicada na disputa pelo Palácio do Buriti. Até os últimos momentos, Cappelli ainda trabalhava para atrair Leila e o PDT para sua chapa, apostando na relação política construída com a senadora e na possibilidade de unificação dos partidos de centro-esquerda.
O acordo, no entanto, não avançou.
Leila optou pela estrutura política que já reunia PT, PV, PCdoB, PSOL e Rede. Com a entrada do PDT, o grupo passa a contar com seis partidos e apresenta uma chapa praticamente completa para a eleição majoritária.
Leandro Grass será o candidato ao Governo do Distrito Federal, tendo Dora Gomes, do PV, como vice. Para o Senado, a aliança reúne Leila Barros, que tentará renovar seu mandato, e a deputada federal Erika Kokay, do PT.
Uma decisão política e eleitoral
A escolha de Leila não foi apenas ideológica. Também envolveu cálculo eleitoral, espaço partidário e capacidade de organização de campanha.
Dentro da composição liderada por Grass, a senadora terá apoio de uma frente mais ampla, tempo de propaganda, militância organizada e um palanque alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão fortalece sua candidatura à reeleição e reduz os riscos de disputar o Senado por uma chapa menor e com pouca estrutura.
O PT já havia sinalizado apoio ao nome de Leila para uma das vagas ao Senado. Restava ao PDT decidir qual candidato ao governo receberia o respaldo da legenda no Distrito Federal.
Ao escolher Grass, o partido encerrou a indefinição e colocou fim às expectativas de Cappelli de contar com a senadora em sua composição.
Tentativa de unidade fracassou
Durante as negociações, Leila defendeu que PT, PSB, PDT e os demais partidos do campo progressista construíssem uma única candidatura ao Governo do Distrito Federal.
A união, porém, esbarrou na disputa pelo comando da chapa.
O PT não aceitou retirar Leandro Grass da corrida pelo Buriti. O PSB, por outro lado, manteve Ricardo Cappelli como candidato e também não demonstrou disposição de abrir mão da cabeça da chapa.
Sem acordo entre os dois partidos, Leila precisou escolher um dos lados.
A senadora se aproximou do grupo que oferecia uma composição mais consolidada, duas candidaturas definidas ao Senado e maior número de legendas reunidas em torno de um mesmo projeto eleitoral.
Cappelli fica pressionado
A decisão do PDT representa uma perda importante para Ricardo Cappelli. Além de não conseguir atrair Leila, o candidato do PSB passa a enfrentar o desafio de montar uma chapa competitiva sem o apoio das principais siglas do campo progressista no Distrito Federal.
Cappelli terá agora de buscar novos aliados, definir nomes para vice-governador e Senado e demonstrar que sua candidatura possui viabilidade política e eleitoral.
O isolamento não significa que sua candidatura esteja inviabilizada, mas aumenta a pressão sobre o PSB. Sem uma coligação mais ampla, Cappelli poderá ter dificuldades para enfrentar adversários com maior estrutura partidária, recursos e presença territorial nas regiões administrativas.
Aliança fortalece Grass, mas mantém a esquerda dividida
A entrada de Leila Barros fortalece Leandro Grass e amplia o peso político de sua candidatura. O petista passa a contar com uma senadora em exercício, uma deputada federal experiente e uma frente formada por partidos com atuação histórica no Distrito Federal.
Mesmo assim, a oposição continua dividida.
Grass e Cappelli deverão disputar parte do mesmo eleitorado, principalmente entre os eleitores de esquerda, centro-esquerda e setores contrários ao atual grupo político que comanda o Governo do Distrito Federal.
Essa divisão pode beneficiar os candidatos mais competitivos do campo governista, que trabalham para manter a unidade e ampliar suas alianças.
Leila escolhe lado e muda o jogo político
Ao fechar com Leandro Grass, Leila Barros deixa de ocupar uma posição intermediária e assume de forma definitiva um lado na disputa pelo Buriti.
A senadora garante espaço em uma chapa estruturada, fortalece sua tentativa de reeleição e ajuda Grass a se consolidar como o principal nome do campo progressista na eleição local.
Para Cappelli, a decisão representa um duro revés. O socialista perde uma aliada cobiçada, fica sem o PDT e terá de reconstruir sua estratégia eleitoral em meio a um cenário cada vez mais polarizado.
A partir de agora, Leila e Grass caminham juntos. Cappelli, por sua vez, terá de provar que consegue permanecer competitivo mesmo sem o apoio que esperava receber.
